Brasil continua mais promissor para o Bitcoin do que El Salvador, diz empresária

Em 9 de junho, El Salvador declarou o Bitcoin (BTC) como sua moeda de curso legal. A notícia foi recebida com otimismo e, ao mesmo tempo, entusiastas brasileiros se perguntaram o que faltava para o Brasil crescer em relação ao BTC.

Contudo, segundo a empresária Maggie Wu, que atua na América Latina desde 2017, o Brasil é mais promissor que El Salvador. Em uma entrevista recente, Wu detalha como está o BTC em El Salvador um mês após a aprovação do projeto de lei.

No geral, de acordo com Wu, boa parte da população ainda desconhece sobre a criptomoeda. Além disso, o próprio governo parece não ter feito muito progresso em infraestrutura.

Maioria das pessoas não conhece Bitcoin

Maggie Wu é CEO da Krypital Group, uma empresa de capital de risco que investe em projetos de criptomoedas na América Latina.

O recente episódio de El Salvador atraiu a atenção de Wu. Não apenas isso, mas o governo abriu uma rodada de reuniões com empresas de criptomoedas atuando na América Latina, a fim de firmar parcerias.

Nesse contexto, a empresária visitou El Salvador e concedeu uma entrevista ao Deep Chain Finance. Wu afirma que, apesar do hype envolvendo o BTC no país, a maioria das pessoas ainda desconhece o Bitcoin.

“É um pouco polarizado. As pessoas que entendem, entendem muito bem. […] Contudo, a maioria das pessoas não sabe o que é Bitcoin, e muitas empresas não aceitam como pagamento e não sabem como aceitar,” explica.

Um dos motivos por trás do desconhecido é a falta de infraestrutura, opina a empresária. A população não consegue participar, uma vez que o governo anunciou a aceitação de Bitcoin, mas não preparou o terreno.

População impulsiona o BTC

Nesse sentido, Maggie Wu afirma que a própria população é responsável por disseminar o Bitcoin. Apesar de anunciar uma carteira de BTC, o governo de El Salvador pouco fez em termos de desenvolvimento.

Ela explica que há uma ideia preliminar, que foi veiculada na imprensa. Entretanto, nenhum progresso foi feito além desse esboço, acredita a empresária.

Enquanto isso, a população cria aplicativos locais para aceitar Bitcoin. “Algumas lojas terão QR Code para receber Bitcoin, e isso foi feito pelos locais. As empresas grandes que atuam lá cobram taxas muito altas, como um custo de 10% pelo manuseio, o que é um exagero”.

Desta forma, os moradores da capital São Salvador estão criando formas de impulsionar a adoção de Bitcoin. Isso também se aplica à famosa Praia do Bitcoin, região onde é possível usar BTC para adquirir produtos e serviços.

“Não é uma organização fixa ou um esforço industrial apoiado pelo governo. Os próprios moradores abrem pequenas lojas e decidem aceitar Bitcoin. Além disso, eles também dão aulas sobre como comprar e usar BTC,” conta Wu sobre a realidade local.

“O Bitcoin é uma experiência descentralizada. A disseminação do BTC pode não acontecer tão cedo, caso a população aguarde o país tomar as medidas necessárias. O fato da população tomar a frente não é algo negativo, uma vez que isso demonstra um ambiente favorável às criptomoedas em um período relativamente curto,” opina Aragão.

E a mineração?

Logo após Elon Musk criticar a mineração de Bitcoin, o presidente de El Salvador mencionou a possibilidade de mineração de Bitcoin com energia vulcânica. Todavia, Maggie Wu observa que o governo ainda não fez nenhum movimento nesse sentido.

“Após uma conversa com o Ministério de Energia, vi que eles quase não entraram em contato com a indústria de mineração, tampouco sabem como construir pools de mineração de grande escala,” diz Wu sobre a realidade de mineração atual.

De qualquer forma, ela ressalta que o país é realmente rico em recursos geotérmicos, que podem ser expandidos. Aparentemente, para Wu, o governo espera que empresas adentrem o país e realizem a mineração de BTC — ainda que não tenha se movido para facilitar o processo.

Wu ainda acrescenta que esta falta de diálogo do governo de El Salvador com a indústria de mineração no geral atrapalha a entrada de empresas desse setor no país.

Brasil e México ainda na frente

Quando questionada sobre quais países são mais relevantes no mercado de criptomoedas na América Latina, Wu cita Brasil e México.

Ademais, no geral, a empresária menciona a região como uma zona fértil de crescimento que pode ter um avanço considerável dentro de três anos. A principal causa disso, segundo a CEO da Krypital, é a falta de crença na moeda local.

“Eles [os países da região] não acreditam em suas próprias moedas, mas sempre precisam de um meio para troca de valor e circulação. Portanto, quando o Bitcoin e demais moedas digitais surgiram, esses países aceitaram esse conceito de forma mais aberta”.

Assim, ainda que El Salvador tenha transformado o Bitcoin em moeda de curso legal de forma apressada, o Brasil ainda está na frente em termos de potencial e infraestrutura.

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