Com alta de mais de 161.900%, maconha e alucinógenos podem ser o novo Bitcoin e já conquistam investidores brasileiros

Maconha e os alucinógenos vem despontando como um dos principais investimentos a oferecer retornos acima de 1.000% e ganham ETFs e fundos aprovados pela CVM

Apesar do Bitcoin (BTC) ser apontado como um dos investimentos mais rentáveis da década com uma alta de mais de 19.000% somente nos últimos 4 anos, outro tipo de ativo vem atraindo atenção dos investidores e repetindo a valorização exponencial da criptomoeda.

Assim como o BTC esta nova classe de ativos também foi igualmente criminalizada mas está rompendo preconceitos e ganhando cada vez mais força no mercado financeiro e atraindo alta lucratividade: a maconha e os alucinógenos.

No caso da cannabis ela elevou o seu patamar de droga ilícita para uma indústria séria e promissora com uma sequência de mudanças na legislação de diversos países para liberar o uso medicinal ou mesmo recreativo da erva e, com isso, empresas que atuam no setor de maconha já chegaram a valorizar mais de 161.900% no últimos 4 anos.

No Brasil, por exemplo, a StartupHero, cresceu 400% durante a pandemia com soluções como valuation (valoração de empresas) e pitch deck (apresentação completa para atrair investidores).

O que chama atenção é que a empresa apostou em nichos da nova economia considerados “diferentões”, por exemplo, uma parceria com uma Aceleradora de Startups de Cannabis que indica dezenas de companhias do ramo, visando a criação de materiais e avaliação de mercado para a captação investimentos.

Maconha

Em 2020, o mercado legal mundial do produto atingiu a marca de US$ 21,3 bilhões de reais, um aumento de 48% em comparação com o ano anterior, segundo a consultoria especializada BDSA.

A indústria de cannabis é tão promissora, que tem chamado atenção dos investidores – com a regulamentação, a expectativa é que o mercado brasileiro pode gerar 117 mil empregos e movimentar R$ 26 bilhões até 2025.

No Brasil um dos especialistas no setor é o investidor João Piccioni que recentemente criou uma carteira de ações da indústria de maconha na Empiricus, intitulada MoneyRider.

Piccioni destaca que há três tipos de ações de maconha que podem deslanchar na bolsa por terem alguns gatilhos específicos, que podem ser disparados e impulsionar a alta nos ativos.

Entre os tipos de ações ele destaca o das empresas que unem maconha e tecnologia, principalmente no que se refere ao acompanhamento e toda a cadeia de produção da industria já que este é um dos gargalos entre o fornecimento legal e o plantio ilegal.

O especialista também pontua que é preciso ficar de olho nas empresas ligadas aos locais para o cultivo legal e indica fundos de investimento imobiliário que possuem propriedades voltadas para plantação controlada (estufas), energias renováveis e transporte (ferrovias). 

Investir em maconha

Quem também tem um fundo de investimento voltado ao mercado de cannabis no Brasil é a Vitreo com o fundo Cannabis Ativo que tem investimento inicial de R$ 1 mil, taxa de administração total de 0,72% ao ano e não cobra taxa de performance.

A carteira do fundo é inspirada nas ideias do relatório “Green Rider” da Empiricus, a maior casa de research independente do Brasil, e tem a alocação indireta de 80% em ETFs de cannabis e 20% do fundo Canabidiol.

De acordo com George Wachsmann, gestor da Vitreo, este é o melhor momento da história para começar a investir no setor. A indústria que já movimenta bilhões de dólares pode estar prestes a aumentar exponencialmente.

Outra opção de investimento é o ETF MJ que está disponível na Stake e que concentra empresas globais envolvidas no cultivo, produção, comercialização ou distribuição legal  de cannabis, canabinóides ou produtos de tabaco.

Crescimento

Segundo levantamento da Stake, compartilhado com o Canal Monetizando, os investimentos em empresas relacionadas à Cannabis não param de crescer e ações e ETFs sobre o segmento têm sido escolhidos como opção de investimento por pessoas no Brasil e em diversos países.

A empresa do setor mais procurada por clientes da Stake é a Tilray, onde as ações sobem anualmente 131%. Sediada no Canadá – e operando também nos Estados Unidos, Europa, Austrália, Nova Zelândia e América Latina – ela se envolve na pesquisa, cultivo, produção e distribuição de cannabis medicinal e canabinóides.

A empresa oferece produtos voltados para lifestyle, alimentos e bebidas alcoólicas à base de cânhamo, cannabis medicinal em vários formatos. Além disso, fornece produtos de extrato de cannabis para pacientes, médicos, farmácias, hospitais, governos e pesquisadores. 

Na sequência vem outra empresa sediada no Canadá, a Aurora Cannabis, que cresce 13% ao ano, que produz e distribui produtos de cannabis medicinal em todo o mundo.

Ela opera em vários estágios da cadeia de valor da cannabis, incluindo engenharia e design de instalações, cultivo de cannabis, pesquisa genética, produção, derivados, desenvolvimento de produtos de alto valor agregado, cultivo doméstico, atacado e distribuição no varejo. 

No relatório a empresa destacou as principais empresas, valor investido nas ações e a quantidade de pessoas as negociando na bolsa de valores americana.

 Valor investido nas ações (em dólares)Quantidade de pessoas negociando as ações
Aurora Cannabis (ACB)18 milhões4.136
Tilray  (TLRY)38 milhões4.492
Canopy Gowth Corporation (CGC)5,5 milhões1.864
Cronos Group (CRON)2,2 milhões1.551
HEXO Corp. (HEXO)5,3 milhões1.811
AbbVie Inc. (ABBV)2,4  milhões1.528
Sundial Growers Inc. (SNDL)1,3  milhões808
Corbus Pharmaceuticals Holdings (CRBP)6,5  milhões2.907
Zynerba Phamaceuticals (ZYNE)3,3  milhões1.359
Alternative Harvest ETF (MJ)1,3  milhões854
Cambria Cannabis ETF (TOKE)70 mil140

Alucinógenos

Seguindo esta tendência de investimentos alternativos e com potencial de valorização o mercado de ações dos Estados Unidos recebeu recentemente o primeiro ETF baseado em psicodélicos como cogumelos mágicos, trufas alucinógenas e drogas psicotrópicas, o PSY.

Lançado no fim de maio, o ETF já cresceu 3,86% e é o segundo do tipo na América do Norte. O Canadá já havia recebido um ETF de empresas de produtos psicodélicos em janeiro de 2021, o PSYK Horizons Psychedelic.

Além dos fundos de maconha, os fundos psicodélicos também entram no ramo de tratamento de doenças raras, transtornos alimentares e ansiedade, doenças que cresceram na pandemia.

Entre os fundos disponíveis, o Defiance Next Gen Altered Experience ETF, ou PSY (NYSEARCA: PSY), reúne 21 companhias, 35% delas “empresas psicodélicas” como Compass Pathways (NASDAQ: CMPS), MindMed (NASDAQ: MNMD) e Numinus (TSXV: NUMI).

Já os outros 65% do ETF são compostos por empresas focadas na cannabis medicinal. A gestora do índice diz que as empresas que compõem o ETF devem ter capitalização de mercado mínima de US$ 75 milhões.

O ETF não investe apenas em drogas psiquiátricas mas também busca incentivar as pesquisas no setor, cujos investimentos caíram 70% nos últimos 10 anos, apesar da demanda ter crescido. O fundo replica o índice BITA Medical Psychedelics, Cannabis, and Ketamine.

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