Veja cinco tecnologias revolucionárias que já foram banidas pela China

Por Luciano Rocha

O governo da China voltou a banir totalmente o uso do Bitcoin (BTC) no país. Trata-se da sétima proibição total feita pelo governo desde 2013, o que não resultou em surpresa no mercado. Entretanto, o preço voltou a operar em queda, mostrando que essas notícias ainda causam impactos de curto prazo.

Banir tecnologias inovadoras tem sido uma prática adotada em profusão pela China neste século. De fato, o país tem adorado esta política pelo menos desde 2009. Como resultado, diversas grandes empresas globais tem suas atividades restritas ou são totalmente proibidas por lá.

Isso não significa que os chineses não possuam acesso a serviços de alta tecnologia. Pelo contrário, o país é um dos líderes globais em termos de população conectada. Acontece que o Partido Comunista Chinês (PCC) proíbe serviços estrangeiros e lança versões alternativas, as quais geralmente estão sob estrito controle de seus líderes.

Conheça agora cinco tecnologias inovadoras que foram proibidas pelo governo da China, bem quais foram as soluções “alternativas” criadas pelo governo local para substituí-las.

Twitter e Facebook

Duas das maiores redes sociais do planeta foram banidas pelo governo chinês em 2009. O Twitter foi o primeiro, banido em junho daquele ano, enquanto o Facebook foi banido um mês depois. No lugar deles, a China criou uma única rede social, a Sina Weibo, conhecida apenas como Weibo.

O Weibo é o aplicativo mais popular da China, com cerca de 411 milhões de usuários segundo o China Internet Watch. O número equivale a aproximadamente dois Brasis, mas representa “apenas” 25% da população chinesa.

Considerado como uma combinação do Twitter e do Facebook, o Weibo permite que usuários podem enviar vídeos, imagens e gifs, além de seguir pessoas e acompanhar suas linhas do tempo. O serviço é especificamente popular entre jovens e executivos, mas seus conteúdos são expressamente vigiados pelas autoridades do PCC.

Por outro lado, as ações de Twitter e Facebook registraram valorizações de 4.449% e 14.199%, respectivamente, desde que foram banidos da China.

Google

O Google, bem como todos os seus serviços associados, foram banidos da China em março de 2010. A plataforma de buscas não pode ser utilizada por nenhum cidadão chinês em qualquer língua. Só é possível acessar o Google na China através de redes com conexão privada, as famosas VPN.

O vácuo deixado pelo Google foi ocupado pela gigante chinesa Baidu – sim, a mesma criadora do anti-vírus que é o terror de muitas pessoas. No entanto, o maior mercado da empresa está nos serviços de busca, visto que mais de 610 milhões de pessoas utilizam o Baidu como principal buscador.

Assim como o Weibo, o Baidu tem seus conteúdos estritamente controlados pelo governo. Buscas sobre determinados temas são censuradas ou simplesmente não mostram resultados.

As ações do Google, por sua vez, tiveram alta de 732% desde que a China baniu a empresa.

Wikipedia

Sem dúvidas a Wikipedia revolucionou o mercado de busca e compartilhamento de conhecimento. A plataforma permite que qualquer pessoa possa divulgar e coletar informações, além de contar com uma auditoria descentralizada e feita pela própria comunidade.

No entanto, o serviço foi banido pelo governo chinês em 2019 em virtude dos 30 anos do Massacre da Praça da Paz Celestial. Ocorrido em 1989 na praça de mesmo nome em Pequim, o evento foi uma grande repressão feita pelo governo chinês contra manifestantes, em sua maioria estudantes.

O tema é considerado sensível e a China tenta ao máximo omitir informações que sejam contra o seu governo. Como resultado, o Baidu também substituiu a Wikipedia, de certa forma. Por ser uma ferramenta colaborativa e gratuita, não existem dados de valorização da Wikipedia.

Bitcoin

Por fim, não tinha como deixar o BTC passar em branco. A criptomoeda já foi alvo do governo chinês este ano, quando a atividade de mineração foi proibida no país. Na época, cerca de 70% de todo o poder de processamento da rede (hash rate) era oriundo da China.

Em 2020, a China anunciou que desenvolveria o yuan digital, uma versão eletrônica da moeda oficial do país. Com vários testes em andamento, a moeda já está sendo utilizada no dia-a-dia e pode ser lançada em breve. Trata-se, de certa forma, uma versão “alternativa” de uma criptomoeda, o que pode ajudar a explicar o banimento recente do BTC.

Agora, o BTC mais uma vez enfrenta a ameaça chinesa, mas isso não significa um mau sinal. Desde o último banimento, em setembro de 2017, o preço da criptomoeda acumulou alta de 798%.

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