Investimentos em terrenos no metaverso chegam a milhões de dólares

Fazendo um paralelo entre a ocupação dos mundos virtuais e a distribuição de terras na época da colonização, a primeira tentativa de organizar a propriedade imobiliária no Brasil colonial se deu com a Lei de Terras, que, em 1850, estabeleceu a possibilidade da aquisição de terrenos apenas por compra e venda ou doação do Estado.

De modo similar, a abordagem predominante para a aquisição de terrenos no metaverso tem sido o leilão ou a compra dos lotes a um preço pré-determinado por mundos virtuais como o Decentraland ou The Sandbox.

Como podemos adquirir um terreno virtual?

Com base em que as formas de aquisição de terras virtuais foram definidas?

Os mundos virtuais já estabelecidos claramente usam a abordagem “skeuomorphic” para guiar as formas de aquisição da propriedade imobiliária digital, que simula a estética dos objetos físicos (off-line) no mundo digital (on-line).

Neste contexto, do mesmo modo que a terra no mundo físico é escassa, ela também deve ser um recurso escasso nos mundos virtuais.

Os preços de terrenos virtuais (que em 2017 giravam em torno de US$ 20 cada) tiveram uma tendência crescente ao longo dos anos, dando um salto significativo com “o tsunami NFT em 2021”.

Agora, terrenos são vendidos no metaverso por algo entre US$ 6.000 e US$ 100.000, podendo chegar até a US$ 4,3 milhões. Este valor foi pago pela empresa de desenvolvimento imobiliário The Republic Realm no The Sandbox.

O que levou à explosão de preços dos imóveis virtuais?

Como vimos, as terras virtuais seguem a mesma abordagem do mundo real, e tendem a se valorizar pois sua oferta é limitada.

A terra no The Sandbox é escassa, com um suprimento de 166.464 lotes disponíveis, de 96 x 96 m2 cada um. O SAND, seu token nativo, disparou quase 14.000% em 2021, chegando a ser comercializado a US$ 5,15.

Da mesma maneira, o metaverso Decentraland, que é governado por uma organização autônoma descentralizada, tem 90.601 lotes de terrenos, mas apenas cerca de 44.000 deles são alocados para compras e vendas privadas.

Cada lote do Decentraland é um token não fungível (NFT) e tem o tamanho de 16 x 16 m2. O terreno é cotado em MANA, o token nativo da plataforma, cujo preço subiu mais de 4.300% em 2021, chegando a ser negociado a US$ 3,41.

Sem dúvida, a imutabilidade e escassez comprovável proporcionadas pelos NFTs contribuíram para a valorização dos imóveis virtuais. Assim como o anúncio do expressivo investimento em realidade virtual pelo Facebook e da mudança de seu nome corporativo para Meta.

Mas o verdadeiro motivo para essa explosão de preços dos terrenos digitais nos últimos meses vai além disso.

O que realmente impactou o mercado de lotes on-line, a ponto de elevar o preço de alguns imóveis digitais em até 14.000%, é que os mundos virtuais se tornarão o metaverso; mais especificamente, um metaverso totalmente funcional, com potencial de alterar fundamentalmente a forma como as pessoas interagem com o mundo digital e o transcendem, fundindo-o como o mundo real.

O que leva um investidor a pagar milhões em um terreno que não existe no mundo físico?

Neste espaço online de mundos 3D interconectados, as pessoas, através de avatares, poderão socializar, trabalhar, fazer compras, jogar e muito mais. E, para um investidor imobiliário, ser proprietário de um espaço bem frequentado agrega valor ao investimento.

Acrescente a isto, uma pesquisa recente da Grayscale que apontou, num futuro próximo, uma estimativa de volume de negócios no metaverso em torno de US$ 1 trilhão e alguns milhões de dólares começam a disputar milímetros nos terrenos virtuais.

O contexto que agrega valor a um terreno virtual, e leva um investidor a pagar milhões por ele, envolve três fatores de valorização: a escassez, a utilidade, e o consumo.

No primeiro, os usuários se utilizam de uma das formas de aquisição da propriedade de terras virtuais (leilão ou compra) para comprar lotes de terreno, que são limitados em quantidade (valorização pela escassez).

No segundo, o número limitado de proprietários de terras é quem define como e em que proporção será criado conteúdo na propriedade virtual adquirida, ou ainda, se a utilizará apenas como um mero investimento (valorização pela utilidade / valorização pela escassez).

Por fim, o terceiro fator diz respeito ao consumo do conteúdo, criado pelos proprietários das terras, pelos frequentadores dos mundos virtuais (valorização pelo consumo).

O que um investidor avalia antes de comprar um terreno virtual?

Lembre-se de que os mundos virtuais seguem a abordagem skeuomorphic, espelhando a estética do mundo físico nos mundos digitais.

Da mesma forma, um investidor no mercado imobiliário virtual utiliza todas as métricas tradicionais que ele utilizaria no mundo real: a localização, o possível tráfego que determinada rua virtual terá, os anúncios nas mídias sociais dos projetos que serão desenvolvidos nos mundos virtuais, e tudo o mais que ele achar que pode gerar algum rendimento.

Por exemplo, um terreno virtual cujo proprietário ainda não definiu nenhuma criação de conteúdo, com certeza terá menos valor para um investidor que um terreno localizado na Fashion Street do Decentraland, destinado à realização de desfiles de moda com marcas de luxo como Louis Vuitton, Gucci e Burberry.

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